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by Artur Ferraz

O Valor dos Valores

Quando nos anos anteriores afirmávamos que estávamos a passar um período de extraordinárias mudanças, não poderíamos antever que a terceira década do século XXI tivesse uma entrada tão dramática como a que estamos a sentir atualmente.

Apesar do muito que temos escrito e desenvolvido sobre a revolução do Conhecimento, em curso, a realidade tornou-se muito diferente do que poderíamos esperar. Atualmente, teremos de enfrentar uma das mais sérias provas de resistência a nível global. As implicações do vírus, que veio revolucionar as nossas vidas, são imensas e extremamente complexas. Uma das maiores provas de resistência que enfrentamos é a de praticarmos os Valores maioritariamente vigentes nos conceitos ocidentais de cidadania que decorrem da aceitação solidária dos princípios da Declaração Universal dos Direitos do Homem e no fundo, nos valores em que assenta a construção europeia.

Contudo, é também essencial ter presente que estes Valores, para muitos dados como garantias vitalícias, encontram-se no centro de um grande esforço de reconstrução em que todos teremos de estar empenhados, o qual reclama uma atitude de cada um de nós  na sua esfera de influência pessoal e restrita.

Nas organizações, essa ação de resistência começa com a clarividência de que o momento atual é um momento de exceção e sem paralelo. Sem essa perceção de ação urgente, deixaremos, seguramente, de poder acompanhar este processo de mudança global.

A consciência do momento tem de ser obrigatoriamente reforçada pela necessidade sentida pelos diferentes grupos em desenvolver uma comunidade de transformação, promovendo a utilização de competências que, pelas suas características, possam ser diferenciadoras e geradoras de substanciais acréscimos de valor.

Entre muitas das competências necessárias para o efeito, permitam-me que  destaque três, cujas características funcionam como extraordinárias alavancas de ações diferenciadoras nas comunidades ondem atuam. A Capacidade Empática, o Pensamento Complexo e a Resiliência.

A Capacidade Empática permite-nos perceber as ondas do meio onde atuamos, sentir as diferentes sensibilidades e ajustar as velas às características do momento. Trata-se de ouvir e entender as perceções de outros e, de forma genuína, entender as complexidades dos diferentes problemas para as outras pessoas.

Mas difícil, porém,  é desenvolver a segunda competência – Pensamento Complexo – dificuldade que é substancialmente acrescentada se não usarmos adequadamente a competência anteriormente referida. Com efeito, o pensamento complexo exige que as diferentes perceções e informações emanadas dos sistemas de informação, possam ser tratadas de forma correta e à luz dos Valores corretos. Sem esta camada protetora, os sistemas de informação descarregam dados que não são tratados devidamente ,ou pior, todos os sistemas são manipulados e condicionados por interesses opacos e não revelados.

Por último, refira-se como particularmente central e consequente  a Resiliência, entendida fundamentalmente como uma competência do foro interior, cuja presença, diga-se, desde já, fundamental, tem de ser desenvolvida e trabalhada nas organizações, de forma a que lhes induza a indispensável  preparação para se poder lidar com situações complexas, incluindo as portadoras de altos níveis de stresse, as quais pelo seu impacte de fragilização da resistência, muitas das vezes nos afastam de ações positivas, impedindo ainda a capacidade de se emitirem mensagens capazes de fazerem  entender as vantagens das soluções que protagonizamos.

A conjugação destas três competências diferenciadoras é, atualmente, de extrema importância nas nossas empresas, emergindo naturalmente o problema de saber se estão as estruturas das organizações preparadas para que os seus colaboradores possam desenvolver as atividades reclamadas pelas soluções equacionadas, usando competências emocionais como estas.

Não poderemos responder a esta pergunta sem investirmos fortemente numa gestão moderna de pessoas. Matéria que exige que sejam desenvolvidos sistemas de informação efetivos, induzindo um modelo estratégico e operacional de gestão de competências. Tarefa que tem de ser, simultaneamente, articulada com as diferentes comunidades organizacionais, reclamando também um posicionamento sólido com o meio envolvente.

O esforço de articulação proposto confere, sem qualquer margem para dúvida, uma progressão assinalável de maturidade às comunidades empresarias e sua envolvente, promovendo em consequência, a sustentabilidade dos Valores humanistas em que assenta a nossa sociedade, dando sempre mais valor aos Valores.

No fundo, só uma forte e consciente articulação de Valores, associada a uma postura consequente, emprestam a força necessária à capacidade de resiliência que o momento que vivemos a todos nos exige.

Publicado na revista O molde, nº 126 de Julho 2020

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Artur Ferraz é Partner na IBC.

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